quarta-feira, maio 31, 2006

002 - Entre eu e Deus

PODER

Comprometo-me a adquirir autoridade não hierarquicamente, mas sendo criterioso em minha vida espiritual em santidade.
Comprometo-me a pedir de Deus o conduzir e o consolidar de sua vontade e querer em meu coração durante o processo. Nele, jamais me calarei, nunca cederei diante das pressões, e também não me desviarei dele.
Comprometo-me a, apesar de não ser fácil, manter uma postura de aluno a vida toda, estando sempre pronto para ouvir, tardiu para falar, buscando reaprender a ser aluno (lembrar de minha postura no primeiro ano do seminário: minhas motivações,expectativas...).
Comprometo-me a selecionar e treinar novos líderes como prioridade em meu ministério; a perceber nas pessoas o que Deus já está fazendo e para que Ele está as conduzindo para que eu não pense em “trabalhar na vida delas” desprezando o que Deus já está fazendo.
Comprometo-me a ter uma consciência crescente do meu próprio destino, deixando que Deus durante o processo me convença e conduza.

PRAZER
Comprometo-me a exercer meu ministério, não como sendo parte de uma casta especial, mas como sendo um privilégio ao exercê-lo funcionalmente. Sou um servo dos servos e devo lealdade em minhas responsabilidades (1 Co 4:1 - QUE os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus... requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel...).
Comprometo-me a não me envergonhar do evangelho, nem das consequências do poder de Deus em minha vida (Rm 1:16 - RECOMENDO-VOS, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia). Não agradarei a homens, e também não olharei para trás, para aquilo eu ficou enquanto era o velho homem.
Comprometo-me a não desistir, jamais, de servir a Cristo e a mais vital de todas as instituições da terra (sua Igreja). Serei zeloso em ensinar e auxiliar os cristãos na tarefa que temos de proclamar o evangelho segundo 1 Co 15:3-4 (Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras) com a motivação correta (cf. 1 Ts 2:3-4 - Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência; Mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.) e observando o método correto (Rm 16:25 - Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto).
Comprometo-me a exercer com prazer meu ministério, para sempre, até que Cristo venha e eu lhe preste contas com alegria. Sonharei e deixarei que Deus domestique os meus sonhos. Pensarei, pensarei muito antes de fazer qualquer coisa. Pensarei, a fim de que seja mais santo, e prosseguirei até o final vivendo em Sua presença, descansando pela fé, amando pela paciência, e em oração permanecendo de pé. Para a glória de Deus, pregarei tudo, orarei tudo e pagarei tudo afim de que muitos tenham o conhecido, e poucos, se convertido.
Comprometo-me a a ter prazer, se é que preciso me comprometer a isso, em ser um cristão em processo de crescimento constante, pois entendo que tal líder cristão é o que Deus requer e que é consequentemente mais feliz.

POSSES
Comprometo-me a carregar comigo e mínimo de peso com responsabilidades financeiras adquiridas irresponsavelmente. “Uma vida simples ajuda-me a voar mais alto”.
Comprometo-me a não envergonhar o evangelho vivendo uma aparente simplicidade cheia de ansiedade .
Comprometo-me a ver os bens como uma responsabilidade.
Comprometo-me a olhar para as posses como administração do momento.
Comprometo-me a administrar fielmente todos os meus bens. A pensar, lembrar e relembrar a respeito do que Deus me deu, e com qual propósito Ele deu.
Comprometo-me a não esperar ter todos os recursos e bens para começar uma obra que esteja diretamente cumprindo o Ide de Jesus.

PRESTÍGIO
Comprometo-me a ser um ministro, um líder cujo ministério seja uma propaganda da ética cristã. E não só meu ministério, mas minha vida seja e tenha tal recomendação (2 Co 6.3-10 - Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja?Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos? Mas o irmão vai a juízo com o irmão, e isto perante infiéis. Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos. Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.)
Comprometo-me a não ter por base o meu êxito pessoal como sinal de Prestígio.
Comprometo-me a lembrar do propósito e diante de quem desejo ser prestigiado. Entendo que isso é fundamental para uma auto-avaliação de minha carreira cristã.
Comprometo-me a dispor-me ao fracasso, pois creio que a ressurreição e o juízo demonstrarão perante todos quem ganhou e quem perdeu.
Comprometo-me a ter por grande honra o ser como Jesus foi: amado pelos que o amam, aceito pelos que o aceitam, odiado pelos que o odeiam, rejeitado pelos que o rejeitam. Esta certamente é a maior honra que um homem pode ter.

CONCLUSÃO
Poder, posses, prestígio, prazer, planos sem valor, sonhos sem cor, conversas mundanas, não farão mais parte e nem terão lugar no novo caminhar que agora estou vivendo ( Fil 3:12-14 - Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.); estou prosseguindo para o alvo.

001 - A verdade por trás do "Código"

É cíclico. De tempos em tempos, a imprensa – geralmente na falta de alguma polêmica que ajude a vender mais jornais ou fazer aumentar os índices de audiência – elege algum livro, filme ou personagem e alimenta algum tipo de celeuma religiosa com boa dose de credulidade calculada, ignorando deliberadamente as artimanhas dos ilusionistas do marketing que as criam. Alguém faz uma “grande descoberta” sem consistência, como a recente valorização do inócuo Evangelho de Judas, que vira livro ou especial na TV, gera dezenas de contestações e, por sua vez, abrem caminho para outras descobertas que desdizem tudo que foi dito antes. E assim por diante.
O mais grave é perceber o quanto a Igreja se ilude, incentiva ou consente com este processo, dando corda no mecanismo. É o caso da onda de protestos de evangélicos e católicos contra O Código da Vinci (Sextante, 2004, 480 páginas, R$ 39,90). Dan Brown deve se divertir muito com as notícias sobre passeatas de religiosos nas portas das livrarias ou declarações de bispos furiosos contra as blasfêmias contidas na obra. E mais ainda ao ver sua conta bancária recheada com o produto dos royalties do livro. Ao invés de apagar o incêndio que só eles enxergam, os manifestantes colocam lenha no forno dessa indústria de controvérsias.
Melhor fariam se ignorassem. O Código Da Vinci não merece tanto estardalhaço. A narrativa é até interessante, mas não chega a empolgar. O autor lança mão de clichês cinematográficos norte-americanos (situações inverossímeis, como as fugas dos protagonistas, e personagens caricatos, como um britânico que parece ter sido conservado em formol desde o período vitoriano) para contar uma história que se esvazia exatamente naquilo que carrega mais. Na tentativa de convencer o leitor de uma suposta manobra subsidiada pela Igreja para divinizar Jesus, Brown cria sua fábula baseada numa premissa que soa, no mínimo, ingênua: a de que os verdadeiros acadêmicos são aqueles que preferem crer em “teorias da conspiração”. Castelos de cartas montados sobre delírios que teólogos sérios já cansaram de desmontar.
É verdade que o livro se baseia na desconstrução do cristianismo – pretensão demais, diga-se de passagem. Porém, no frigir dos ovos, O Código Da Vinci não passa de entretenimento. E mesmo quando considerado dentro desta categoria, não vale tanta celebração. É uma ficção mediana e previsível, típica da mediocreira responsável pelos thrillers de suspense e ação de uma escola que vive de criar histórias de olho nos muitos dólares extras com as adaptações para cinema. Por outro lado, a execração radical também é injusta: o autor é hábil na tessitura de fatos reais e mitos, e sua colcha de retalhos, vez por outra, é até convincente. Mas não justifica tanto barulho, seja como informação histórica ou literatura.

Omar de Souza é jornalista e editor do site http://www.teologiabrasileira.com.br.

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