segunda-feira, março 26, 2007

024 - Por que eu sou um Calvinista - parte 1


Traduzirei, a partir deste post, a série do pastor Phil Johnson sobre calvinismo intitulada "Por que eu sou um Calvinista ... e, muito provavelmente, vocês tambem.". Esta série está sendo escrita no Pulpit Magazine - blog oficial do Shepherds´Fellowship (da turma do John MacArthur, Phil Johnson, e Nathan Busenitz). O endereço do texto original é http://www.sfpulpit.com/.



Por que eu sou um Calvinista (parte 1)...
... e por que todo cristão é um calvinista de péssima qualidade.

(por Phil Johnson)

Parte I: O Arminianismo é uma heresia condenável?

Eu amo as doutrinas da graça e não receio o rótulo “Calvinista”. Eu creio na soberania de Deus. Estou convencido de que as Escrituras ensinam que Deus é completamente soberano não apenas na salvação (efetivamente chamando e concedendo fé àqueles que Ele escolheu), mas também em todos os detalhes da Providência. “Aqueles que Ele predestinou, a estes também chamou; aqueles que Ele chamou estes também justificou; e aqueles que Ele justificou estes Ele também glorificou” (Romanos 8:30). E Ele fez “todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que amam a Deus, isto é, para aqueles que são chamados de acordo com Seu propósito” (Romanos 8:28). Resumindo de modo simples, Ele “faz todas as coisas de acordo com o conselho de Sua vontade” (Efésios 1:11).

Isto é o que as pessoas normalmente querem dizer quando falam de “Calvinismo”. Quando eu aceitei este rótulo (Calvinista), eu não me comprometi a ser submisso ao homem João Calvino. Eu não estou ratificando tudo o que ele ensinou, e não estou fechando os olhos a tudo o que fez. Estou convencido que Calvino foi um homem piedoso e um dos mais excelentes expositores bíblicos e teólogos que já existiu, mas ele não esteve sempre certo. De fato, minhas convicções pessoais são batistas, e eu não sou, de maneira nenhuma, um dos devotados seguidores de Calvino. Em outras palavras, quando eu aceitei o rótulo “Calvinista” é apenas por questão de conveniência. Não estou dizendo “Eu sou de Calvino” no sentido dos de Corinto.
Além disso, eu não sou um daqueles que usam o Calvinismo desafiando pessoas a lutarem comigo sobre isso. É verdade que eu posso me aborrecer com certos pontos da doutrina (quando confrontados) — especialmente quando alguém ataca um princípio que ataca o coração do Evangelho, como a expiação substitutiva, ou o pecado original, ou a justificação pela fé e o princípio da justiça imputada. Quando um destes princípios é combatido, eu estou pronto pra lutar. (Agora, eu também não estou me ocupando de surrar ou bater em tudo o que se torna a última moda evangélica.)
O Calvinismo não é um desses assuntos sobre os quais eu trabalho e me irrito. Eu o discutirei com você, mas se você está louco para brigar sobre este assunto, você provavelmente me encontrará pronto para a provocação. Eu mesmo passei excessivamente muitos anos como um Arminiano, e não digo que a verdade nestas questões é fácil e óbvia.
Agora, não tenha a idéia errada. Eu realmente penso que a verdade da soberania de Deus é clara e intrínseca nas Escrituras. E é uma verdade difícil de se desentender com ela, de modo que eu simpatizo com aqueles que lutam com ela. Eu sou calvinista o suficiente para crer que Deus determinou (pelo menos por enquanto) que alguns de meus irmãos defenderão suas opiniões arminianas.
Com o passar dos anos, eu, provavelmente, tenho escrito pelo menos duas vezes mais material tentando diminuir a ira dos hipercalvinistas quanto eu tenho discutido com Arminianos. Não porque eu penso que o hipercalvinismo é um erro mais sério que o Arminianismo. De fato, eu diria que os dois erros são notavelmente semelhantes. Mas eu não ouvi muitas vozes de admoestação sendo levantadas contra os perigos do hipercalvinismo, e, além do mais, existem exércitos de calvinistas lá fora já desafiando os arminianos, de modo que eu tentarei falar tanto quanto for possível contra as tendências dos hipercalvinistas.
Isso porque eu sou, provavelmente, de modo geral menos militante do que você pode esperar quanto aos ataques contra os erros dos Arminianos. Além disso, eu adquiri e aprendi muito respondendo objeções arminianas com um ensino paciente e imparcial, moderação, instrução bíblica—ao invés de argumentos irados e momentos anátemas.
Por que não aceitar uma mais passiva, doce, e fraternal aproximação para todas as divergências teológicas? Porque eu, firmemente creio que existem alguns erros teológicos que realmente merecem uma firme e decisiva condenação. É o ponto de Paulo em Gálatas 1.8-9; e é o mesmo ponto que o apóstolo João elabora em 2 João, versos 7-11. Quando alguém ensina um erro que, fatalmente, corrompe a verdade do evangelho, “que ele seja anátema”.
Mas, deixe-me ser claro aqui: um simples Arminiano não cai naquela categoria. Não é justo atribuir o rótulo de heresia grosseira ao Arminianismo, da forma como alguns dos meus mais zelosos irmãos, confrades Calvinistas parecem estar predispostos a fazer. Eu estou falando acerca do Arminianismo histórico, evangélico, do clássico, e do arminianismo wesleyano — Arminianismo, não Pelagianismo, ou Teísmo Aberto, ou qualquer outra heresia que Clark Pinnock inventou esta semana — mas o verdadeiro Arminianismo evangélico. O Arminianismo está, certamente, errado; e eu discutirei que é inconsistente consigo mesmo. Mas, em meu julgamento simples, o diversificado jardim Arminiano não está tão fatalmente errado que precisemos despachar nossos irmãos arminianos às chamas eternas ou mesmo recusá-los automaticamente da comunhão em nossos encontros pastorais.
Se você pensa que estou começando a parecer um defensor do Arminianismo, eu, definitivamente, não sou um. Eu realmente penso que o Arminianismo é um profundo erro. Suas tendências podem ser verdadeiramente sinistras, e quando é permitido que sejam semeadas, conduzem pessoas a uma linha herética. Mas, o que eu estou dizendo aqui é que o mero arminianismo em si mesmo não é uma heresia maldita. É simples e grosseiramente inconsistente com a essência das doutrinas do Evangelho que arminianos crêem e afirmam.
Mas, apesar de eu parecer um defensor do arminianismo, deixe-me também dizer isso: Existe uma abundância de Calvinistas ignorantes e inconsistentes por aí, também. Com a chegada da Internet é mais fácil do que nunca ensinos particulares disporem pessoas para comprometerem-se em um debate ou diálogo teológico, através dos fóruns da internet. Penso que estes são, em sua maioria, bons; e eu encorajo a que entrem nestes fóruns. Mas a Internet torna fácil, por exemplo, que pessoas dispostas e ignorantes se arrastem juntas de maneira interminável onde um reforça a ignorância do outro. E eu desconfio que isso aconteça muito.
Especialmente os hipercalvinistas parecem suscetíveis àquela tendência, e existem ninhos deles aqui e ali—especialmente na Internet. E, frequentemente, tenho encontrado pessoas que têm sido influenciadas pelo extremismo na internet, angariando idéias hipercalvinistas e insistindo que, se alguém é arminiano, aquela pessoa definitivamente não é um cristão. Eles igualam Arminianismo com o engano da salvação pelas obras. Eles sugerem que o Arminianismo implicitamente nega a Expiação. Ou eles insistem que o Deus adorado pelos arminianos é um Deus totalmente diferente do Deus das Escrituras.
Isso é realmente um exagero de falas insignificantes—totalmente desnecessárias — e enraizadas numa ignorância histórica. Há poucos anos atrás, quando eu iniciei meu blog, eu mencionei esta tendência em meu primeiro post, que era intitulado “Calvinismo ‘rápido e fácil’.” No final daquele post, eu disse assim: "Meu conselho para jovens calvinistas é que aprendam teologia da corrente histórica de autores Calvinistas, não em Blogs e fóruns de discussão na Internet. Alguns dos fóruns podem ser úteis porque eles lhe dirigem para fontes mais importantes. Mas, se você pensa da Internet como uma substituta para o Seminário, você corre um sério risco de se tornar um desequilibrado".
Todavia, leia a corrente de autores calvinistas e você terá dificuldade de achar um que considerou o Arminianismo como uma heresia condenável. Há uma razão para isso: É porque, apesar do arminianismo ser desconcertantemente inconsistente, não é, necessariamente, execravelmente errôneo. A maioria dos Arminianos — e eu continuo falando aqui do clássico e do tipo wesleyano, não pelagianismo disfarçado de arminianismo — enfaticamente afirmam verdades evangélicas que estão, sem dúvida nenhuma, arraigadas em pressuposições calvinistas.

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