domingo, outubro 10, 2010

ESCRAVIDÃO - Presbiterianos Separatistas


A VOZ INFLUENTE DE ALGUNS PRESBITERIANOS


Nesse período imigratório ao Brasil Império, muitos protestantes vieram ao Brasil com uma opinião bastante clara quanto à escravidão: ela é um assunto meramente político, e nada tem a ver com a religião. Lembrando, é a isso que chama-se de separatistas (tendência de separar decisões do estado, independentemente delas terem conotações éticas ou espirituais, dos princípios bíblicos).

Dentre os separatistas, encontramos um grupo que formava a conhecida “Velha Escola” presbiteriana, cuja influência era maior no Sul dos Estados Unidos da América. Segundo Barbosa,1 esse grupo chegou a defender o sistema social da escravidão, “alegando ser ele uma instituição civil, portanto, fora da competência da atuação da igreja”.2
Sob tal influência vieram vários missionários ao Brasil. Dos tais vinha uma voz que clamava por separação entre “César” e “Igreja”. Estabeleciam o princípio de dar a César (império) o que é de César e a Deus (igreja) o que é de Deus. Duncan Reily observa que o ponto desses protestantes era que toda questão ligada à esfera política e social não deveria ser tratada pela igreja.3 Eram assuntos que pertenciam a César. À igreja cabia apenas a discussão sobre assuntos “espirituais”. Escravidão não seria assunto eclesiástico, mas sim político.
Tais protestantes forçavam opiniões de que se deveria separar o espiritual do não espiritual. Desse modo, boa parte da teologia das missões protestantes que se instalaram no Brasil em meados do século XIX constituía-se da teologia da “Igreja Espiritual”. Com essa teologia, boa parte da igreja se afastou “dos graves problemas enfrentados pela sociedade, entre eles, a escravidão negra”.4
Em breve, tratarei sobre outras vozes separatistas no Brasil Império, de Anglicanos e Batistas.

Wilson Porte Jr.
Post Tenebras Lux


1BARBOSA, José Carlos. Protestantismo e escravidão no Brasil império. 1988. 150 f. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Ciências Humanas | Dpto de História, Universidade de Brasília, Brasília. p. 104.
2 Ibid., p. 105.
3 REILY, Duncan A. Metodismo brasileiro e wesleyano. São Paulo: Imprensa Metodista, 1981. p. 222.
4 BARBOSA, op. Cit. p. 108

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