terça-feira, março 22, 2011

John Bunyan - O pacto das obras e a tristeza pelos perdidos.

Por Wilson Porte Jr.
O Peregrino, publicado pela Editora Fiel
John Bunyan (1628-1688) foi, segundo Joel Beeke, um poderoso pregador, além de ser o mais conhecido de todos os puritanos. Bunyan foi um dos autores mais influentes do século dezessete. Foi ativo como pregador leigo no exército do Parlamento bem como durante o período da “Federação” (Commonwealth). Por causa disso, ficou preso por doze anos, recusando constantemente sua própria liberdade condicional dizendo que, caso fosse solto, voltaria a pregar no mesmo dia, o que lhe era proibido naquele tempo. É durante sua prisão que escreve seu mais famoso livro, O Peregrino. Bunyan  foi nomeado pastor de uma congregação batista particular em Bedford em 21 de janeiro de 1672. Contudo, não pode assumir seu posto até que fosse libertado em maio do mesmo ano.
 Bunyan não foi admirado apenas dentre os círculos evangélicos, mas até mesmo dentro do movimento romântico no século dezenove, Bunyan é tido como um génio literário. Quanto ao Pacto das Obras, Bunyan corroborava a ideia de outros reformadores de que alguns, hoje, ainda estão debaixo deste pacto. Contudo, para ele  “não haverá jamais um cristão sob a lei, como é no Pacto das Obras, mas sob a graça, através de Cristo”.
Filme baseado no livro.
 Mas, uma vez que os homens estejam em um estado não regenerado, há sobre eles a “lei do pecado, a lei dos homens, a lei da obras, em outro tempo chamada de pacto das obras, ou de o primeiro, ou antigo pacto”, diz Bunyan. Desta forma, como uma lei que traz a morte para os não regenerados, e que os aponta igualmente para a profundidade de seus pecados e para a graça de Jesus Cristo, o Pacto das Obras, ou, a Lei, segundo Bunyan, foi dada sobre o Monte Sinai a Moisés, em duas tábuas de pedra, em dez ramos ou diretrizes particulares. Para Bunyan, esta foi  a mesma lei dada a Adão, salvo que naquela ocasião lhe fora dada com vistas à Vida, e não à Morte.
Em dada altura, Bunyan revela profunda tristeza pessoal por causa das almas que se encontram sob o Pacto das Obras. Bunyan as chama de “pobres almas” que estão sob as obras e que não sabem que estão. No Pacto das Obras, após a queda, sob a Lei, não há arrependimento para a vida. Bunyan diz que “este foi o tesouro que Adão herdou à sua posteridade: um pacto quebrado; e que, por isso, a morte reina sob todos os seus filhos”.
John Bunyan, séc. 17
 Não apenas a morte, mas, segundo Bunyan, Adão privou a raça humana de sua força, pela qual primeiramente eles seriam capazes de obedecer. Adão os herdou nada mais do que a morte. “Ó, estado lastimável! Ó, quão indigentes e miseráveis são os filhos de Adão”!
Bunyan afirma que este pacto não pode ser alterado e que todos os homens são malditos por quebrarem a Lei de Deus. Bunyan afirma:
Estas coisas são claras quanto à Lei de Deus, enquanto um pacto das obras: se um homem obedece nove dos mandamentos, e ainda assim, quebra apenas um, aquele mandamento quebrado irá, certamente, destruí-lo, e excluí-lo das alegrias do céu, como se ele tivesse definitivamente transgredido todos os dez mandamentos.
Deste modo, a Lei foi dada à humanidade para mostrar o seu pecado e não para salvá-la. Segundo Bunyan, a lei calará a todos os homens no juízo de Deus, tornando todos culpado diante de Deus.
Túmulo de John Bunyan, em Londres.
Sugiro, a todos que quiserem continuar estudando sobre isso, os seguintes livros:
ELWELL, Walter A. (ed.). Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 218.
BEEKE, Joel; PEDERSON, Randall. Paixão pela pureza: conheça os puritanos. São Paulo: PES, 2010, p. 170, 177.
BUNYAN, John. The entire works of John Bunyan. v. 1. London: Printed by James S. Virtue, 1859, p. 185-195.

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